Coração que Pulsa

by Grupo Desportivo e Cultural de Castelo de Paiva

À conversa com Sandra Teixeira














Coração que Pulsa, é um espaço concebido para dar a conhecer o sentir dos elementos do Grupo Desportivo e Cultural de Castelo de Paiva, e que dão corpo ao projecto iniciado em 1987.


Não é pretensão deste espaço uniformizar linhas de pensamento, pretende, isso sim, demonstrar que o Grupo Desportivo, é de todos. Aqui, luta-se primeiro na vertente individual, cuja soma proporciona coesão colectiva, criando um sentir, uma mística de fazer inveja.


Sandra Teixeira, personifica esta forma, nova, que introduzimos em Castelo de Paiva, que é: desporto de todos e para todos e como a própria diz, fazer do Grupo Desportivo, a família opcional.


Sandra, fala-nos de ti.

Chamo-me Sandra, tenho 34 anos, sou natural de Cinfães e resido actualmente em Castelo de Paiva, sou casada, tenho uma filha e trabalho a tempo inteiro. Iniciei-me no atletismo em 2014.


A nossa região, apesar dos muitos avanços, ainda coloca muitos entraves à participação da mulher em tarefas desportivas, também sentes isso?

Sim é verdade, mas também não deixa de ser verdade que são as próprias a colocarem os principais entraves e preconceitos. Eu pessoalmente não senti grandes entraves, senti sempre o incentivo do meu marido, que por vezes é o que falta a muitas mulheres.


O que te levou a optar pelo atletismo?

Eu já há alguns anos que pratico aeróbica duas vezes por semana. Mas nós as mulheres temos todas um enorme preconceito pelas gorduras acumuladas. Então para além da aeróbica comecei, com as minhas colegas de aeróbica, a dar umas corridinhas de 30 minutos, em locais mais reservados (lá estão os tais preconceitos). Não gostava de correr, porque inicialmente começamos a ter imensas dores no corpo. Mas começando a criar resistências, os resultados começam a aparecer rapidamente, senti-me muito melhor fisicamente e psicologicamente, querendo sempre mais e melhor.



Porque escolheste o Grupo Desportivo? Como foste acolhida?

Eu já estava integrada no grupo desportivo através da aeróbica e também porque o meu marido também já lá corria e incentivou-me a acompanha-lo. Fui acolhida como que de uma familiar se tratasse. De início sentia-me constrangida e que estava a atrasar e a limitar o treino dos outros, por não conseguir os ritmos deles, fui sempre incentivada a não desistir e rapidamente comecei a conseguir pelo menos a não os fazer esperar muito. Sempre me incentivaram e acompanharam a evoluir. O grupo desportivo é uma família de escolha complementar à família de sangue onde o lema “paixão, arrôjo, dedicação, o prazer de ser diferente” é sentido.



Que alterações tiveste que fazer ao teu quotidiano para poderes conciliar as responsabilidades de esposa, mãe, com os treinos diários?

Toda a gente parte do pressuposto errado de que não tem tempo. Quando comecei a correr diariamente tive que ajustar o estilo de vida que tinha, tive que tomar opções. Com a ajuda do meu marido, dividimos tarefas, posso até dizer que faço mais agora do que quando não corria.


Ainda te lembras da primeira competição e das sensações?

A minha estreia foi no Grande Prémio Domingos Cunha no Torrão, de início senti-me totalmente desenquadrada. Pensava que seria a última, não tinha noção nem qualquer objectivo à chegada. Deu-se o tiro de partida e fui-me sentindo cada vez melhor, o trajecto era duro e sinuoso. À chegada disseram-me que eu era a segunda classificada, nem queria acreditar. Senti-me inicialmente embaraçada que nem desfrutei o momento. Senti o entusiasmo de querer fazer cada vez mais e melhor.



Ouve-se amiúde que quem não tiver objectivos não singra, concordando, quais são os teus?

Concordo plenamente, os objectivos é que nos levam a superarmo-nos. Os meus não são os de ir a uns Jogos Olímpicos. Valorizo muito mais o colectivo do que o individual. Procurando sempre melhorar a classificação e os tempos, gostaria de vencer algum título colectivo feminino.



Pódio Colectivo Campeonato Distrital Corta-Mato Curto 2015
Castelo de Paiva




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